Nomeutempismo

#CrônicadeSexta

Duas coisas impedem que você esconda sua idade: as rugas e, especialmente, você falar “no meu tempo…”

 

A idade de uma pessoa pode ser medida pelo número de vezes que ela inicia uma frase com a expressão “No meu tempo…”. Antes de completarmos 14 anos, nem mesmo entendemos a ideia de que exista um tempo que não seja “nosso”! Antes de existirmos não havia tempo, só história (e, para mim, a historia era sépia!). Aos 15 usamos nosso primeiro “no meu tempo…”, para criticar a forma como as “crianças de hoje” brincam. Depois vamos usando cada vez mais, até que “No meu tempo” torna-se um prólogo de qualquer argumentação.

    Certa vez, em uma roda de conversa com amigos mais jovens, surgiu o assunto violência. “No meu tempo, não era assim!”, eu comecei, com o dedo levantado, impondo a autoridade que a expressão evocava. “Quando eu tinha uns dezoito anos, eram umas onze da noite quando fui guardar o carro na garagem do apartamento. Eu ainda estava com a roupa que havia chegado em casa, e desci levando apenas as chaves. Assim que entrei no carro, percebi a aproximação de uma figura pelo retrovisor. Mostrando o cano de uma arma, o sujeito meio que sussurra:

– É assalto, é assalto!

– O que você quer? – perguntei surpreso com minha própria calma.

– Carteira!

– Não tá aqui…

– Celular!

– Também não…

– O que tem no porta luvas?!

– Um imagem de São Cristóvão…

Sem se irritar, ele ainda tenta.

– E no porta malas?

Vou até a parte de trás do carro, abro o porta malas, apenas papeis e uma panela. Percebendo a impossibilidade de conseguir um bom lucro do assalto, o indivíduo olha para os meus pés e diz:

– Passa esses tênis!

Descalço os tênis, ele pega os dois e corre na direção de onde veio. Quando voltei ao apartamento, pergunto ao meu primo, que observava tudo da janela:

– Fui assaltado! Você não viu?

– Aquele cara te assaltou? Pensei que vocês eram amigos!”

Sem entender bem a moral da história, um dos meus jovens amigos questiona: “Mas você foi assaltado à mão armada!”. Eu, então, finalizo a argumentação com outro bordão indicador de idade: “imagina se fosse hoje…”

Marcelo

 

Espero que tenham gostado e até o próximo post!

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Por: Lóren Santos | 04/09/2015 | Cultura

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