O ônibus errado

#CrônicadeSexta

Toda sexta aqui no blog além da programação normal teremos um espaço para cultura. Não é só de futilidades uteis que vivemos não é mesmo? Então, toda sexta o novo colaborador do blog Marcelo Dias (que tenho orgulho de falar que é meu Marido) irá publicar crônicas. Pra quem ama crônicas assim como eu ou gosta de uma leitura tranquila pra descansar a cabeça dos problemas do dia a dia esse será o espaço perfeito pra você.

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Apresento a primeira crônica do Blog Lóren Santos

O ônibus errado

A estação de ônibus era grande e ele teria que passar por todas as plataformas antes de chegar a seu ponto. “Por que sempre tem que ser a última?”. O cansaço do final do dia era grande, tão grande quanto a vontade de chegar em casa, tomar um banho, dar um abraço na esposa e descansar. Apressou o passo, àquela hora, não eram muitos os passageiros que seguiriam na mesma viagem e, assim, a parada na estação era breve. Viu o ônibus se aproximar da plataforma, correu e conseguiu chegar a tempo. Sentou com a cabeça girando, culpa do sedentarismo, alguns poucos metros e ele já estava esbaforido.

A viagem durava em torno de uma hora, então, tirou da mochila um livro que começara a ler naquela manhã, encontrou o ponto da página no qual havia parado. O ônibus parou na estação seguinte e roubou sua concentração por alguns segundos, poucos passageiros entraram, nenhum sentou-se a seu lado e a viagem prosseguiu. Concentrado, não percebeu as paradas seguintes. Olhou pela janela, onde estavam? Não reconhecia aquele lugar! Lembrou-se da correria na estação… tinha pegado o ônibus errado… que idiotice! E agora? Olhava desesperado para a paisagem escura, nenhum prédio, outdoor ou propaganda política conhecida. Não poderia descer antes de identificar, pelo menos, onde tinha parado… a paisagem começava a mudar gradualmente, postes davam lugar a árvores e a iluminação tornava-se cada vez mais precária… prédios e casas apareciam cada vez mais espaçados e iam reduzindo de tamanho… que lugar era aquele? De repente, um solavanco do ônibus o fez perceber que trafegavam agora por uma estrada de terra… lá fora, teve a nítida impressão de ter avistado um animal grande, talvez um cavalo ou uma vaca… as árvores eram cada vez maiores… agarrou-se à mochila, como para buscar alguma segurança… a única luz vinha do próprio ônibus, que, cada vez mais, destoava da paisagem selvagem que o cercava… olhou em volta, não havia mais nenhum passageiro… os bancos de madeira da carruagem estavam vazios… teria de perguntar ao cocheiro. O lado racional de sua mente deu-lhe um beliscão! Mas ainda estava atordoado… como pôde parar naquele lugar? Um artista entrou no ônibus, pegou uma flauta e começou a tocar para um furão vestido com roupas de passista, que aproximou-se dele e disse: “Mano, tem um trocado?”.

Assustado, abriu os olhos e percebeu o mundo conhecido a seu redor! Conhecia aquele muro, aquele poste, a passarela, o mercado! Fechou o livro, guardou-o na mochila e deu o sinal. Desceu alegre, apesar dos quilômetros que ainda o separavam de sua casa, pois havia desembarcado bem antes de seu ponto habitual. Não estava preocupado, queria apreciar cada lugar conhecido no caminho. Chegou em casa, a esposa perguntou sobre o atraso e ele respondeu sorrindo: “peguei o ônibus errado”.

 Marcelo
 Espero muito que vocês tenham gostado do novo espaço do blog. Até mais!

 

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Por: Lóren Santos | 07/08/2015 | Cultura

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