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crônicas de sexta

A Descoberta

#CrônicadeSexta

 

“Estou grávida!”

Eu não sei dizer qual foi a minha expressão, se me mostrei alegre demais, ou não o suficiente. É uma sensação muito difícil de explicar, mas vou tentar.

Todo mundo sempre sonhou em ter os poderes do Super-Homem, voar, levantar um avião, derreter um carro com os olhos! Imagine, então, que você acorda em um dia, sem saber que ganhou superpoderes e se assusta com deformação que o simples apertar da sua mão causou na porta da geladeira. A primeira reação, claro, é de espanto, incredulidade! “Não é possível que eu realmente tenha conseguido isso!” Então, o sonho se torna um fato, e você passa a voar pelos céus, carregando um avião enquanto come um cachorro quente! Euforia! Toda a sua vida foi conduzida para aquele momento, aquele dia! Você vê um bandido assaltando uma velhinha e POW! SOC! O malandro nem mesmo sabe o que o atingiu com tanta força! Então vem outro grito de socorro, e outro e mais outro… e é aí que vem a angústia. Você percebe que não será capaz de evitar todos os assaltos, salvar todas as velhinhas, evitar que as pessoas continuem morrendo em acidentes nas estradas. Você descobre que, apesar de ser super, você ainda é homem. Mas a angústia só dura até você voar novamente, parar uma bala no peito, tirar um gato preso em uma árvore. Você sabe que a angústia irá voltar, que ainda irá sofrer, mas isso é um pequeno ônus de, finalmente, ter SUPERPODERES!

Tudo isso, todo esse pensamento aconteceu naquele milionésimo de segundo entre ela dar a notícia e eu responder com um sorriso de alegria.

 

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Marcelo

 

 

 

 

 

 

Essa foi a crônica mais linda que marido escreveu <3 <3 Espero que tenham gostado tanto quanto eu.

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Por: Lóren Santos | 26/02/2016 | Cultura,Maternidade

Nomeutempismo

#CrônicadeSexta

Duas coisas impedem que você esconda sua idade: as rugas e, especialmente, você falar “no meu tempo…”

 

A idade de uma pessoa pode ser medida pelo número de vezes que ela inicia uma frase com a expressão “No meu tempo…”. Antes de completarmos 14 anos, nem mesmo entendemos a ideia de que exista um tempo que não seja “nosso”! Antes de existirmos não havia tempo, só história (e, para mim, a historia era sépia!). Aos 15 usamos nosso primeiro “no meu tempo…”, para criticar a forma como as “crianças de hoje” brincam. Depois vamos usando cada vez mais, até que “No meu tempo” torna-se um prólogo de qualquer argumentação.

    Certa vez, em uma roda de conversa com amigos mais jovens, surgiu o assunto violência. “No meu tempo, não era assim!”, eu comecei, com o dedo levantado, impondo a autoridade que a expressão evocava. “Quando eu tinha uns dezoito anos, eram umas onze da noite quando fui guardar o carro na garagem do apartamento. Eu ainda estava com a roupa que havia chegado em casa, e desci levando apenas as chaves. Assim que entrei no carro, percebi a aproximação de uma figura pelo retrovisor. Mostrando o cano de uma arma, o sujeito meio que sussurra:

– É assalto, é assalto!

– O que você quer? – perguntei surpreso com minha própria calma.

– Carteira!

– Não tá aqui…

– Celular!

– Também não…

– O que tem no porta luvas?!

– Um imagem de São Cristóvão…

Sem se irritar, ele ainda tenta.

– E no porta malas?

Vou até a parte de trás do carro, abro o porta malas, apenas papeis e uma panela. Percebendo a impossibilidade de conseguir um bom lucro do assalto, o indivíduo olha para os meus pés e diz:

– Passa esses tênis!

Descalço os tênis, ele pega os dois e corre na direção de onde veio. Quando voltei ao apartamento, pergunto ao meu primo, que observava tudo da janela:

– Fui assaltado! Você não viu?

– Aquele cara te assaltou? Pensei que vocês eram amigos!”

Sem entender bem a moral da história, um dos meus jovens amigos questiona: “Mas você foi assaltado à mão armada!”. Eu, então, finalizo a argumentação com outro bordão indicador de idade: “imagina se fosse hoje…”

Marcelo

 

Espero que tenham gostado e até o próximo post!

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Por: Lóren Santos | 04/09/2015 | Cultura

A Cueca

#CrônicadeSexta

 

“Cirurgiões chineses fazem crescer ‘nariz’ artificial na testa de paciente”

A notícia deu-lhe uma nova esperança.

Há anos ele teve um relacionamento com uma mulher ciumenta. Ela morava em um bairro distante e os dois se viam apenas nos finais de semana. O primeiro mês foi como todo início de relacionamento. Ela enviava várias mensagens como “Oi anjinho, tô com saudadi S2” e “Oi, meu amor, quê cê tá fazendu?”. Ligava sempre que ele chegava do trabalho e ficavam horas no telefone. Mas depois veio o estranhamento.

Cheia de desconfiança, ela perguntava onde ele estava quando não a atendia. Um dia, saiu do trabalho para ir ao banco, não podia atender o celular. Assim que religou o aparelho, recebeu uma mensagem: “Vc não atendeu o celular e não está no trabalho. Onde vc tá?! >:( ”. Não dava mais, precisava terminar aquele namoro. Ela não aceitou muito bem, perguntou o que tinha feito de errado. Quando ele disse que ela o deixava sufocado, o choro transformou-se em raiva e, nesse acesso, a faca muito próxima foi o instrumento com o qual ela cortou-lhe o membro viril. O médico disse que daria para recuperar, não fossem as mordidas do cachorro.

Depois de ler o jornal, ele juntou todas suas economias e viajou para a China, buscando o tratamento inovador que prometia recuperar o membro perdido. Ficou por lá alguns dias e precisaria retornar dali a quatro meses, para realizar o transplante.

Ao chegar em casa, o espanto da mãe foi enorme: “Filho! Para que essa cueca na cabeça?!”. Ele sorriu e explicou. Claro que incomodava. Da primeira vez que viu uma mulher atraente na rua ficou feliz e constrangido, não imaginava que o implante já teria reações. Daquele, dia até o fim dos quatro meses, passou a usar cartola.

 

 

Marcelo

 

 

Que sexta de vocês seja cheia de bom humor como essa crônica! Espero que tenham gostado e até mais!

 

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Por: Lóren Santos | 14/08/2015 | Cultura,Uncategorized

O ônibus errado

#CrônicadeSexta

Toda sexta aqui no blog além da programação normal teremos um espaço para cultura. Não é só de futilidades uteis que vivemos não é mesmo? Então, toda sexta o novo colaborador do blog Marcelo Dias (que tenho orgulho de falar que é meu Marido) irá publicar crônicas. Pra quem ama crônicas assim como eu ou gosta de uma leitura tranquila pra descansar a cabeça dos problemas do dia a dia esse será o espaço perfeito pra você.

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Apresento a primeira crônica do Blog Lóren Santos

O ônibus errado

A estação de ônibus era grande e ele teria que passar por todas as plataformas antes de chegar a seu ponto. “Por que sempre tem que ser a última?”. O cansaço do final do dia era grande, tão grande quanto a vontade de chegar em casa, tomar um banho, dar um abraço na esposa e descansar. Apressou o passo, àquela hora, não eram muitos os passageiros que seguiriam na mesma viagem e, assim, a parada na estação era breve. Viu o ônibus se aproximar da plataforma, correu e conseguiu chegar a tempo. Sentou com a cabeça girando, culpa do sedentarismo, alguns poucos metros e ele já estava esbaforido.

A viagem durava em torno de uma hora, então, tirou da mochila um livro que começara a ler naquela manhã, encontrou o ponto da página no qual havia parado. O ônibus parou na estação seguinte e roubou sua concentração por alguns segundos, poucos passageiros entraram, nenhum sentou-se a seu lado e a viagem prosseguiu. Concentrado, não percebeu as paradas seguintes. Olhou pela janela, onde estavam? Não reconhecia aquele lugar! Lembrou-se da correria na estação… tinha pegado o ônibus errado… que idiotice! E agora? Olhava desesperado para a paisagem escura, nenhum prédio, outdoor ou propaganda política conhecida. Não poderia descer antes de identificar, pelo menos, onde tinha parado… a paisagem começava a mudar gradualmente, postes davam lugar a árvores e a iluminação tornava-se cada vez mais precária… prédios e casas apareciam cada vez mais espaçados e iam reduzindo de tamanho… que lugar era aquele? De repente, um solavanco do ônibus o fez perceber que trafegavam agora por uma estrada de terra… lá fora, teve a nítida impressão de ter avistado um animal grande, talvez um cavalo ou uma vaca… as árvores eram cada vez maiores… agarrou-se à mochila, como para buscar alguma segurança… a única luz vinha do próprio ônibus, que, cada vez mais, destoava da paisagem selvagem que o cercava… olhou em volta, não havia mais nenhum passageiro… os bancos de madeira da carruagem estavam vazios… teria de perguntar ao cocheiro. O lado racional de sua mente deu-lhe um beliscão! Mas ainda estava atordoado… como pôde parar naquele lugar? Um artista entrou no ônibus, pegou uma flauta e começou a tocar para um furão vestido com roupas de passista, que aproximou-se dele e disse: “Mano, tem um trocado?”.

Assustado, abriu os olhos e percebeu o mundo conhecido a seu redor! Conhecia aquele muro, aquele poste, a passarela, o mercado! Fechou o livro, guardou-o na mochila e deu o sinal. Desceu alegre, apesar dos quilômetros que ainda o separavam de sua casa, pois havia desembarcado bem antes de seu ponto habitual. Não estava preocupado, queria apreciar cada lugar conhecido no caminho. Chegou em casa, a esposa perguntou sobre o atraso e ele respondeu sorrindo: “peguei o ônibus errado”.

 Marcelo
 Espero muito que vocês tenham gostado do novo espaço do blog. Até mais!

 

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Por: Lóren Santos | 07/08/2015 | Cultura