Vivendo de Janela

#CrônicadeSexta

Dizem que, certa vez, Bezerra da Silva encontrou um homem em sua cama, junto com sua mulher, vestindo um pijama que ele nunca tinha usado. Sem ficar exaltado, ele acendeu o cigarro e disse que os dois poderiam ir embora, mas que deixassem o pijama. O fato, que já daria uma boa narrativa, foi uma das muitas desilusões amorosas que inspiraram o compositor a criar um samba que começa assim

A minha vizinha vive de janela

Tomando conta da vida dos outros

Que morena linda abraçada com velho

Que velha mais feia agarrada com broto

Que cara tão magro com moça tão gorda

Que gordo mais feio com moça tão bela

A janela, que já foi a profissão de muita gente, hoje está afastada do mundo exterior por grades e muros altos. Assim como os datilógrafos, vendedores de enciclopédia e telefonistas, as faladeiras precisaram se atualizar para manter o ofício. Nos dias atuais, consigo imaginar Bezerra sentado, cavaquinho na mão, vestindo o famoso pijama e compondo

A minha vizinha vive de internet

Tomando conta da vida dos outros

Que roupa mais curta dessa piriguete

Que saia mais longa parece que é santa

Que pessoa simples só pode ser pobre

Que menina chique virou uma esnobe

Vou ficando por aqui, para não arriscar falar demais, afinal… “a minha boca é um túmbalo!”

 

Marcelo

 

Espero que tenham gostado e até a próxima #crônicadesexta

 



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Por: Lóren Santos | 21/08/2015 | Cultura

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